USP oferece minicurso sobre igualdade de gênero para todos os alunos da instituição


O Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) oferece o minicurso Gênero e Universidade: do que estamos falando? como uma disciplina de pós-graduação aberta para todos os alunos da universidade.
Coordenado pela professora da FFLCH Eva Alterman Blay e pela mestre em Psicologia e integrante da equipe técnica do USP Mulheres, Prislaine dos Santos, o minicurso aconteceu pela primeira vez entre março e maio de 2019, em seis encontros.
Dentre os temas abordados, destacam-se conceitos de sexo e gênero; estudos feministas, feminismo interseccional e feminismo negro; relações entre sexo, gênero e saúde; mulheres nos esportes; gênero, diversidade e inovação, e metodologias de pesquisa para os estudos de gênero. Todo o conteúdo utilizado nas aulas está disponível no site USP Mulheres.
Sobre o USP Mulheres
O USP Mulheres é um órgão ligado diretamente ao gabinete do Reitor. A iniciativa faz parte da estrutura administrativa da instituição e tem o objetivo de promover a cultura de igualdade de gênero na universidade e desenvolver um diálogo com a comunidade universitária, incluindo estudantes, professores e funcionários.
Segundo Prislaine Santos, o programa é desenvolvido em três eixos. “A conscientização, permitindo que se identifiquem as situações de violência por mais sutis que pareçam; a qualificação do atendimento e acolhimento das denúncias; e a responsabilização dos envolvidos”.
Parte da mobilização acontece por meio de campanhas educativas com cartazes, panfletos e intervenções artísticas produzidos com a colaboração da Escola de Comunicação e Artes (ECA), além de posts no Facebook.
O USP Mulheres também atua no acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres que sofreram algum tipo de violência na instituição. Além disso, são disponibilizados cursos e encontros para a formação de profissionais que lidam com casos de violência, como assistentes sociais e psicólogas da universidade.
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O órgão colabora, ainda, com a segurança do campus Butantã, por meio de iluminação adequada e com um campo específico para o registro de violência contra mulheres no aplicativo Campus USP.
Todas essas práticas trouxeram um grande avanço para a comunidade acadêmica, como a forma como os homens enxergam e lidam com as mulheres na universidade.
“Se voltarmos alguns anos atrás, a maioria das unidades de ensino não tinha coletivos de estudantes organizados ou mesmo núcleos/comissões para tratar questões de gênero. Esse assunto praticamente não aparecia no dia a dia de estudantes, docentes e funcionários, apesar da violência e da discriminação de gênero sempre ter existido. O momento atual conta com mudanças extremamente importantes nessa realidade. Hoje em dia, na USP, a maior parte da comunidade já teve acesso a alguma forma de conscientização a respeito da realidade desigual entre homens e mulheres e das diferentes situações de violência que isso pode acarretar”, conta Prislaine.
Os novos desafios
Para a equipe do USP Mulheres, os avanços conquistados ainda não são suficientes pois, mesmo que de forma menos acentuada, há casos de desrespeito contra mulheres, minorias étnicas ou pessoas não heteronormativas.
De acordo com as integrantes, é preciso melhorar os canais de denúncia, agilizar os processos administrativos de violação de direitos humanos, criar mecanismos mais ágeis de proteção, assim como materiais educativos e orientadores para combater a violência e avançar na implementação de medidas institucionais para combater a desigualdade de gênero nas carreiras docente e técnica-administrativa.
Fonte: Quero Bolsa


