A Copa do Mundo de Futebol Feminino chega ao fim no próximo domingo (7). Mais do que mostrar belos gols nos gramados e o fantástico desempenho de atletas profissionais, o campeonato também levantou a bola do sempre necessário debate sobre equidade de gênero, paridade salarial, empoderamento feminino e desigualdades enfrentadas pelas mulheres, inclusive no esporte.
Certas curiosidades sobre esse Mundial destacam a relevância desses temas. Por 38 anos, até 1979, o futebol feminino era proibido por lei no Brasil e era visto com muito preconceito em outros países.
Até hoje, persistem discrepâncias. Existe um alto nível de desigualdade de gênero no que se refere às premiações e aos salários pagos aos atletas de times masculinos e femininos. Por exemplo, a premiação para as 24 seleções que estão competindo no mundial feminino atinge a casa de 30 milhões de dólares (cerca de 117 milhões de reais), o dobro do que foi dado em 2015, mas que não chega perto do que é reservado ao mundial masculino, um total de 400 milhões de dólares (1,5 bilhão de reais).
A embaixadora global da ONU Mulheres, a brasileira Marta Vieira da Silva, luta pela “igualdade de gênero dentro e fora do campo”. Com 17 gols marcados em Copas do Mundo, ela é a maior artilheira da história dos Mundiais. Nesta Copa, a atleta não contou com qualquer patrocínio, pelo fato de diversas marcas terem lhe oferecido quantias abaixo do que normalmente é apresentado a atletas homens. No lugar da logomarca de um patrocinador, na chuteira de Marta havia estampado o símbolo de igualdade, nas cores rosa e azul, para promover a iniciativa “Go Equal” pela equidade no esporte.
Para além do mundo dos esportes, o empoderamento das mulheres é primordial para a promoção do desenvolvimento humano e do crescimento inclusivo, além de ser um direito humano básico. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número cinco (ODS5) da Agenda 2030 busca promover a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas. Nesse cenário, as políticas de proteção social têm um potencial importante na promoção da equidade de gênero e da inclusão das mulheres na economia, principalmente nos países em desenvolvimento.
A proteção social tornou-se proeminente na agenda global de desenvolvimento nas últimas décadas, com a inclusão de sistemas de proteção social como parte do ODS 1 – “Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares”. Nos países em desenvolvimento, por exemplo, essas políticas têm tido importante papel no combate à pobreza extrema. Além da melhoria nas condições materiais dos beneficiários, essas medidas que levam em consideração as dinâmicas de poder e as desigualdades nos lares e nas comunidades são necessárias para que os programas de proteção social possam abarcar a desigualdade de gênero de modo transformativo e eficaz.
Para incentivar o debate sobre equidade de gênero, proteção social e empoderamento das mulheres, o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) selecionou três publicações importantes:
A Revista (PIF) “Women at work: addressing the gaps”(disponível em inglês) aborda as significativas barreiras que as mulheres em todo o mundo enfrentam para se tornarem cidadãs economicamente ativas, e destaca um aspecto crucial do empoderamento econômico das mulheres: a participação no mercado de trabalho.
Nem todos os tipos de trabalho resultam em experiências positivas para as mulheres, uma vez que elas enfrentam desafios na busca por empregos produtivos e bem remunerados, que lhes permitam acumular ativos. O tempo que as mulheres podem dedicar ao mercado de trabalho permanecerá limitado se normas sociais profundamente enraizadas, como as relativas ao trabalho doméstico e ao cuidado das crianças, não forem repensadas para que todos os membros da família dividam as tarefas igualmente.
A Revista PIF “Proteção social: rumo à igualdade gênero” debate temas-chave relacionados à igualdade de gênero e à proteção social e traz uma ampla gama de contribuições de mulheres acadêmicas e formuladoras de políticas públicas. A revista conta com estudos que focam nos contextos dos programas de proteção social implementados atualmente na África do Sul, no Egito, em Uganda, na Tanzânia e no Brasil. Os artigos apresentam reflexões sobre os desafios para a promoção da igualdade de gênero por meio de políticas sociais.
A Revista PIF “Mulheres protagonistas”destaca exemplos de mulheres que estão se mobilizando, mesmo em uma sociedade antagônica. As mulheres protagonistas lutam contra as barreiras da sociedade, liderando uma revolução social, cultural e econômica. Essa revolução é voltada, principalmente, para a conquista feminina dos direitos iguais aos dos homens e à equiparação de injustiças históricas, bem como para a conquista de um espaço na sociedade dedicado ao enfrentamento dos desafios específicos às mulheres atualmente.
Independentemente de que seleção levante a taça do Mundial deste ano, já há motivos para todos comemorarem. A ONU Mulheres e a FIFA assinaram em junho passado um compromisso para a promoção da igualdade de gênero no esporte. E as “três principais áreas conjuntas de trabalho são: o desenvolvimento de políticas esportivas; a promoção e o apoio de projetos sustentáveis que ajudarão a criar um legado duradouro para a mudança cultural e empoderamento de mulheres e meninas em todo o mundo; e ações de comunicação para aumentar a conscientização sobre a igualdade de gênero por meio do esporte”
Fonte: ONU BR
