A noite foi marcada também por algumas zebras e a vitória da Amazon Prime Video: algumas das principais vencedoras da premiação são séries exibidas na plataforma de streaming, como The Marvelous Mrs Maisel e o atual fenômeno pop, Fleabag. A série, que começou despretensiosamente em 2016 e foi ganhando peso, é um projeto pessoal da roteirista e atriz Phoebe Waller-Bridge, que também levou o prêmio de Melhor Roteiro Comédia, Melhor Atriz Comédia e Melhor Série Comédia. Waller-Bridge subiu três vezes ao palco, mas foi uma das poucas a evitar fazer algum discurso politizado. Atualmente, envolvida com o roteiro do próximo filme de James Bond, em que é a primeira roteirista mulher a assinar um roteiro para o espião inglês, ela creditou – com razão – o sucesso da segunda temporada ao ator Andrew Scott, ex-vilão da série Sherlock e atualmente conhecido como o “padre gato”. “A segunda temporada não teria sido esse sucesso sem [Andrew Scott], que entrou no universo de Fleabag como um furacão”, ela agradeceu.
O tom de seriedade foi aberto no discurso de Alex Bornstein, que levou o segundo Emmy de Atriz Coadjuvante Comédia por The Marvelous Mrs Maisel. Ela citou a história da avó, que sobreviveu ao Holocausto por desafiar as regras do campo de concentração. “Saiam da fila, meninas”, a atriz aconselhou.
Quem acompanha premiações sabe que, quando Patricia Arquette sobe aos palcos, ela nunca deixa de aproveitar para fazer declarações importantes. Ao receber o prêmio de Atriz Coadjuvante por The Act, ela citou sua irmã trans, Alexis, que morreu em 2016. “As pessoas trans estão sendo perseguidas, e eu choro todo dia da minha vida, Alexis, e vou chorar todo dia por você até que a gente mude o mundo para que as pessoas trans não sejam mais perseguidas. Deem trabalho para eles, são seres humanos. Chega de preconceito”, pediu.
O ator Billy Potter, que venceu a categoria de Melhor Ator Drama por Pose, lembrou que a crença limitante interferiu por muitos anos na sua carreira. “Foram muitos anos vomitando aquela sujeira que aprendi sobre mim e que meio que acreditei até que eu pudesse andar no mundo como se tivesse o direito de estar aqui”, disse o ator citando o escritor James Baldwin. “Eu tenho o direito de estar aqui. Nós todos temos o direito”, completou.
A linda e elegante Michelle Williams endereçou dois assuntos em uma mesma declaração. Uma das vítimas mais conhecidas das diferenças salariais que ainda existem em relação a homens e mulheres em Hollywood, ela ressaltou que alcançou a igualdade, mas que ainda falta fazer mais. “Na próxima vez que uma mulher, especialmente uma mulher de cor, disser do que precisa para fazer seu trabalho, ouça-a. Acredite nela. Um dia, ela pode aparecer na sua frente e dizer: ‘Obrigada’. Por permitir que ela tenha sucesso com seu trabalho, e não apesar dele”, declarou.
E quem lacrou a cerimônia (e internet) mesmo foi uma Viola Davis cada vez mais à vontade e poderosa. Ela desfilou no tapete vermelho de salto, mas entrou no palco de tênis. A imagem desafiadora dispensou discursos. Por isso mesmo vale muito ouvir o que ela conta à CLAUDIA na edição de outubro.
Fonte: Cláudia







