RIO – Na busca por números que auxiliem a formulação de políticas públicas, a demógrafa Jackeline Romio desenvolveu uma metodologia, publicada em seu doutorado pela Unicamp, para entender os casos de feminicídio no país. Em seu trabalho, de 2017, ela aponta que metade das mulheres mortas por agressões no Brasil, entre 2009 e 2014, foi assassinada em casa.
Em relação aos óbitos referentes à violência sexual, o que chama de feminicídios sexuais, há relação com a etnia. Segundo ela, mulheres pretas, pardas e indígenas correspondem a 43% dos casos de mortes por agressão sexual no período.
O que os casos de feminicídio do início deste ano indicam?
A morte por violência doméstica é o ponto mais alto das agressões. Se chegamos a esse número de feminicídios, quantas outras estão em um processo que pode levar à morte? É um alerta para a sociedade. Quando ocorre a morte, já houve antes uma sequência de outras violações que, inclusive, podem ter sido registradas. Então, algumas delas tinham direito a medidas protetivas, e a morosidade da Justiça quando a vítima é mulher acaba levando ao óbito. É preciso que as medidas protetivas sejam expedidas com menos de 24h e que se acompanhe se essas medidas estão sendo cumpridas. Além disso, por exemplo, se uma jovem aparece nos sistemas de saúde com sinais de agressão, é preciso atenção. A negligência e a demora do Estado acabam causando mais mortes.
FOMTE: O GLOBO

