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Após ser agredida diversas vezes pelo ex-marido, a fotógrafa Tamara da Silva, de 32 anos, desenvolveu um projeto na web para apoiar mulheres vítimas de violência doméstica. A moradora de Bertioga, no litoral de São Paulo, criou uma página nas redes sociais onde orienta outras mulheres que também foram agredidas por seus companheiros ou familiares.

Em entrevista ao G1, ela contou que ficou por cinco anos em um relacionamento abusivo, no qual foi agredida diversas vezes, inclusive durante a gravidez. Ela conseguiu se separar depois que sua filha de três anos lhe entregou uma faca para se defender de uma das agressões, em que teve o nariz quebrado.

Depois de todo o sofrimento, Tamara decidiu criar a página ‘Violência contra mulher – Bertioga’, para contar sua história e auxiliar mulheres que sofreram ou sofrem agressões. “Eu sempre faço reuniões, nas quais eu levo psicólogos e advogados. Falamos da lei Maria da Penha, porque muitas não conhecem os direitos das mulheres. Ela precisam saber, porque muitas vezes, encontram na delegacia profissionais despreparados, que não aplicam a lei”, comenta.

As reuniões são realizadas a cada dois meses, onde ela realiza uma espécie de chá da tarde, para conversar com as vítimas e orientá-las sobre os tipos de agressões e medidas que podem ser tomadas. “A ideia é sempre fazer esse trabalho e nunca parar, porque informação é tudo nesses casos”, afirma Tamara.

Relacionamento abusivo

Tamara conta que conheceu o ex-companheiro na igreja, em agosto de 2013, e eles logo começaram a namorar. Em dois meses de relacionamento, o casal passou a morar junto. Tamara era fotógrafa e não demorou para que o marido pedisse para que ela deixasse de trabalhar e de se arrumar, já que ele não gostava.

A primeira agressão ocorreu em 2014, depois de uma discussão. Ele deu um tapa no rosto de Tamara, que revidou. Ele a agrediu novamente. Com medo, ela foi embora para a casa dos pais. Durante a estadia na residência dos parentes, a fotógrafa descobriu que estava grávida e decidiu voltar a morar com o agressor, que se mostrou arrependido e prometeu que nunca mais a agrediria. No entanto, ele não cumpriu a promessa, conforme explica Tamara.

“Ele me bateu várias vezes, até durante a gravidez. Toda vez que eu discordava dele, era motivo para me agredir. Eu não podia ter opinião própria”, afirma. A fotógrafa aponta que entendeu que precisava sair do relacionamento abusivo quando, em uma das agressões, a filha mais velha entregou uma faca para que ela se defendesse, em junho de 2018.

“Ele estava me socando no rosto. Já estava com o nariz quebrado e minha filha chegou com a faca. Ela só tinha três aninhos. Naquele momento, meu mundo desabou. Até então, eu vi que quem estava sofrendo mais era ela. Quando ele chegava em casa, ela já falava: ‘Não vai bater na minha mamãe’. Quando chegou nesse ponto, eu esqueci toda a minha dor e pensei nela e no meu outro filho”, conta a vítima.

Conforme relata, a fotógrafa esperou o ex-marido ir trabalhar e, com os pertences e os dois filhos, foi embora da cidade. Alugou uma casa em Guarujá, onde ficou por pouco tempo, até voltar para Bertioga e retomar a vida que tinha antes de conhecer o ex-companheiro. Ela voltou a trabalhar e, atualmente, está em um novo relacionamento. “Eu achei que nunca mais ia me relacionar”, finaliza.

 

 

 

 

Fonte: G1